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SERES DIVINOS
Mitologia Egípcia
Hapi
Deus - 2ª Geração Divina
Rios

Hapi personifica as águas do rio Nilo durante a inundação anual a que o Antigo Egito estava sujeito entre meados de Julho e Outubro. Hapi não tinha templos a si dedicados, mas era associado à região da primeira catarata do Nilo (ilha de Biga, onde se dizia que residia) ou ao vértice do Delta do Nilo, perto da cidade do Cairo. Apesar disso, o deus era popular um pouco por todo o Egito. Era por vezes representado de forma duplicada no símbolo do sema-taui, onde surge a atar as duas plantas heráldicas do Alto Egito e do Baixo Egito, o lótus e o papiro (cyperus papirus). Apenas o faraó Siptah mencionou o deus Hapi na sua titulatura: o seu nome de Hórus apresenta-o como "amado de Siptah".

Hapi era representado como um homem com ventre proeminente e com seios, que veste a cinta dos pescadores e barqueiros. Na sua cabeça tinha o lótus e o papiro ou segurava estas plantas nas suas mãos. A sua pele poderia ser pintada de azul ou verde, duas cores associadas entre os antigos Egípcios à fertilidade. Era também representado a derramar água de jarros ou a levar mesas e bandejas com alimentos.

Hapi era associado ao deus Osíris, outra divindade com características relacionadas com a fecundidade. Enquanto que Hapi personificava as águas do Nilo, Osíris era a força fertilizante destas águas. Teria sido também Hapi a alimentar no seu seio Osíris, ajudando desta forma na ressureição do deus. A sua esposa era a deusa Sekhmet. Outros deuses relacionados com Hapi eram Ísis (cujas lágrimas eram vistas como a causa da inundação do Nilo) e Khnum (divindade ligada às cataratas do Nilo).

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Mitos
Mitologia Egípcia
Apophis e Sekenrere Tao II

Ora aconteceu que o Egipto estava na miséria e não existia um senhor (vida, força e saúde) como rei nesse tempo. Então aconteceu que o rei Sekenenré (vida, força e saúde) era o regente (vida, força e saúde) da cidade do Sul. Mas a miséria reinava na cidade dos Asiáticos, estando o príncipe Apophis (vida, força e saúde) na cidade de Avaris. Entretanto todo o país lhe fazia oferendas com tributos, e o Norte levava-lhe todos os bons produtos do Delta. Então o rei Apophis (vida, força e saúde), filho de Sutekh, seu senhor, não servia nenhum dos deuses que estavam no país, à excepção de Sutekh.

Ele construiu-lhe um templo, num trabalho bom e eterno, ao lado do palácio do rei Apophis (vida, força e saúde), onde ele aparecia todos os dias para oferecer sacrifícios a Sutekh. E os grandes do palácio (vida, força e saúde) levavam grinaldas como se faz no templo de Ré-Horakhti diante dele.

Ora o rei Apophis (vida, força e saúde) desejava enviar uma mensagem provocatória ao rei Sekenenré (vida, força e saúde), príncipe da cidade do Sul. Alguns dias depois, o rei Apophis (vida, força e saúde) chamou os altos funcionários do seu palácio e disse que pretendia enviar uma mensagem ao príncipe da cidade do Sul, a propósito do rio, mas não sabia como a redigir.

Então os escribas e os letrados, bem como os altos funcionários, disseram: «Soberano (vida, força e saúde), nosso senhor, pede que seja abandonado o tanque com hipopótamos, que está a leste da cidade do Sul, porque eles impedem que o sono chegue de dia e de noite com o barulho que fazem, enchendo as orelhas das pessoas da nossa cidade.»

O rei Apophis (vida, força e saúde) respondeu-lhes: «O príncipe da cidade do Sul não confia em nenhum deus dos que estão no país, excepto em Amon-Rá, rei dos deuses.»

Alguns dias depois disto, o rei Apophis (vida, força e saúde) enviou um mensageiro ao príncipe da cidade do Sul com o texto que lhe havia sido sugerido pelos escribas e letrados. O mensageiro do rei Apophis (vida, força e saúde) chegou ao palácio do rei da cidade do Sul e foi conduzido perante o rei da cidade do Sul.

Foi então perguntado ao mensageiro do rei Apophis (vida, força e saúde):

«Porque é que foste enviado à cidade do Sul? E porque é que empreendeste esta viagem até aqui? »

E o mensageiro respondeu: «Foi o rei Apophis (vida, força e saúde) que me enviou para dizer: Faz com que seja abandonado o tanque dos hipopótamos, que está a leste da cidade, porque eles não deixam ninguém dormir nem de dia nem de noite. O barulho que eles fazem enche as orelhas das pessoas da sua cidade.»

O príncipe da cidade do Sul ficou surpreendido um longo momento, sem poder responder ao enviado do rei Apophis (vida, força e saúde). Mas depois disse o rei da cidade do Sul: «Será que na verdade o teu senhor (vida, força e saúde) ouviu falar no seu país distante do tanque que está a leste da cidade do Sul? »

Então o mensageiro disse-lhe: «Reflete acerca do assunto pelo qual ele me enviou.»

E o príncipe da cidade do Sul cuidou do mensageiro do rei Apophis (vida, força e saúde) e fez com que lhe entregassem todas as coisas boas como carne e bolos, e depois disse-lhe: «Regressa para junto do rei Apophis (vida, força e saúde). Seja o que for que lhe disseres eu o farei. Assim tu lhe dirás.»

E o mensageiro do rei Apophis (vida, força e saúde) pôs-se a caminho para o local onde estava o seu senhor (vida, força e saúde).

Então o príncipe da cidade do Sul fez chamar os seus altos funcionários e igualmente todos os principais chefes ao seu serviço e deu-lhes notícia da mensagem do rei Apophis (vida, força e saúde). Eles calaram-se um bom momento sem dizer nada. Então o rei Apophis (vida, força e saúde) enviou (…).

———————-

 

O curto texto, que G. Lefebvre inclui no grupo dos contos anedóticos com toque lendário, refere-se ao início da guerra que opôs os Sulistas e os Nortistas para o domínio das Duas Terras, no final do atribulado Segundo Período Intermediário. A cidade do Sul é Tebas, onde residia Sekenenré (XVII dinastia), opondo-se a Apophis, que reinava no Delta, e porventura até Heracleópolis, com capital em Avaris.

O deus egípcio Set aparece neste texto grafado como Sutekh (forma que no Império Novo equivalia ao nome de Set), de acordo com a preferência dos Hicsos por esta divindade tutelar e algo tumultuosa, que eles assimilaram ao seu Baal, cultuado na região do Corredor sírio-palestiniano.

A querela política entre o Norte e o Sul é também reflexo bem evidente da rivalidade entre Set e Amon de Tebas, cujo influente clero apoiou Sekenenré.

O burlesco da questão está em apresentar os ruídos dos hipopótamos de Tebas, perturbadores do sono de Apophis, como a causa da guerra que se vai desencadear entre as duas partes. Note-se que a cidade de Avaris, capital dos Hicsos, ficava no Delta, a centenas de quilómetros da região tebana.

O texto termina bruscamente não deixando perceber como seria o seu final. Em todo o caso conhece-se o desfecho da terrível luta que se travou entre os hicsos de Apophis, sediados no Norte, e os tebanos de Sekenenré que conseguiram congregar em torno de si todo o Alto e o Médio Egipto, numa longa e cruenta guerra que, nos tempos seguintes, seria vista como uma luta de «libertação nacional», escondendo que os soberanos hicsos tinham o apoio da população do Delta.

A múmia de Sekenenré, hoje no Museu Egípcio do Cairo, testemunha bem a violência dos combates: o impressionante crânio do rei apresenta-se com profundos golpes de machado e lança. Nos anos seguintes os dois filhos do monarca conseguirão vencer os Hicsos: o rei Khamose (o último da XVII dinastia) expulsa-os do Médio Egito e ataca no Delta, deixando o trabalho final de expulsão definitiva dos Hicsos do território egípcio para o seu irmão Ahmose, fundador da XVIII dinastia e do Império Novo.

 

Em todo o caso, o texto transcrito dá a entender que o rei hicso Apophis (na circunstância trata-se de Apophis III) era reconhecido legitimamente pelo rei tebano, tanto mais que ele é tratado com a cerimoniosa e faraónica fórmula de «vida, força e saúde» (ankh, udja, deneb).

Mitologia Egípcia - Apophis - Sekenrere Tao II - Khamose - Ahmose - Hycsos - Tebas - Segundo Período Intermediário
Mitologia Egípcia
O náufrago

Disse o excelente companheiro: «Alegra o teu coração, comandante! Repara, nós regressámos a casa. Já se pegou no maço, já se espetaram os paus de atracagem, a amarra da proa está presa em terra. Os louvores foram feitos, o deus foi louvado, e cada homem abraça o seu companheiro. A tri­pulação voltou sã e salva, não houve perdas na nossa expedição. Atingimos a extremidade do país de Uauat e passámos por Senmut. Eis que regres­sámos em paz, este é o nosso país; estamos já em casa!

Agora ouve-me, comandante, eu sou um homem que nunca exagera. Purifica-te, verte água sobre os teus dedos e, depois, poderás responder ao que te é perguntado. Dirige-te ao rei com ânimo, respondendo sem hesitações quando te for dirigida a palavra. A boca de um homem pode salvá-lo, o seu discurso poderá apaziguar um rosto zangado. Bem, não interessa, faz então o que quiseres, torna-se aborrecido falar contigo!

Mas vou contar-te uma pequena história parecida com esta, que me aconteceu uma vez. Eu viajava para a região das minas reais e tinha descido para o Grande Verde, num navio que media cento e vinte côvados e com uma largura de quarenta côvados. A tripulação era formada por cento e vinte dos melhores homens do Egito: quer eles vigiassem o céu, quer vigiassem a terra, os seus corações eram mais fortes que leões. Eles conse­guiam prever o mau tempo antes que ele viesse, e a tempestade, mesmo antes de ela se formar.

Surgiu então uma tempestade quando estávamos no Grande Verde e não havia hipóteses de chegar a terra. Continuámos a navegar e os ventos aumentaram, formando-se ondas com oito côvados. Um pedaço de madeira atingiu-me e o navio desfez-se. De todos os que estavam a bordo, nem um só sobreviveu.

Então fui arrastado para uma ilha deserta, por uma vaga do Grande Verde. Passei três dias sozinho, a minha única companhia era o meu coração. Fiquei inerte, ao abrigo de uma árvore e abracei a sombra. Finalmente, estiquei as pernas e fui procurar qualquer coisa para comer. Encontrei então figos e uvas, bem como toda a espécie de saborosos vegetais e frutos de sicómoro, uns talhados, outros, não, e pepinos que pareciam ter sido plan­tados. Havia também lá peixes e aves. Não havia nada que aquela ilha não tivesse. Então saciei-me, até ficar satisfeito, entornando e deixando cair a abundância que estava nos meus braços. Depois preparei uma fogueira, e fiz um sacrifício para os deuses.

Então ouvi um som, como se uma tempestade se aproximasse, e pensei que fosse uma onda do Grande Verde. As árvores partiam-se, a terra estre­meceu. Tapei a cara e, quando a descobri, vi que era uma serpente, e que vinha na minha direcção. Media trinta côvados e a sua barba passava de dois côvados. O seu corpo estava coberto de ouro, as suas sobrancelhas eram de lápis-lazúli verdadeiro.

Ela inclinou-se e abriu a sua boca para mim, enquanto eu estava estendido sobre o meu ventre diante dela. Então disse-me: «O que te traz por cá? Quem te trouxe, meu pequeno? Quem te trouxe? Se não te apressas a dizer-me o que te trouxe a esta ilha, prometo-te que te reduzirei a cinza, tornar-te-ás algo que nunca existiu.»

[E eu respondi:] «Embora tenhas acabado de falar comigo, eu não entendi nada do que disseste. Eu sei que estou perante ti, mas mal me conheço a mim.»

Então a serpente pegou-me com a boca e levou-me para o seu covil onde me depôs sem me magoar, de modo que fiquei lá são e salvo sem que nada me tenha acontecido. Ela abriu a sua boca para mim, enquanto eu estava estendido sobre o meu ventre diante dela.

Depois ela disse-me: «Quem é que te trouxe aqui? Quem te trouxe, pequeno? Quem te trouxe para esta ilha do Grande Verde, cujas margens estão nas vagas?»

Desta vez contei-lhe tudo, erguendo os braços na sua presença e dizendo-lhe: «Eu estava a caminho das minas, cumprindo uma missão do soberano, a bordo de um navio com cento e vinte côvados e com uma largura de quarenta côvados. A sua tripulação era formada por cento e vinte dos melhores homens do Egito: quer eles vigiassem o céu, quer vigiassem a terra, os seus corações eram mais fortes que leões. Eles con­seguiam prever o mau tempo antes que ele viesse, e a tempestade, mesmo antes de ela se formar. Cada um deles rivalizava com o seu companheiro em bravura e em força, e não havia fracos entre eles. Surgiu uma tempes­tade quando estávamos no Grande Verde e já não havia hipóteses de chegar a terra. Continuámos a navegar e os ventos aumentaram, formando-se-ondas com oito côvados. Um pedaço de madeira atingiu-me, e então o navio desfez-se. De todos os que estavam a bordo, nem um sobreviveu. Apenas fiquei eu que agora estou ao teu lado. Fui então lançado para esta ilha por uma vaga do Grande Verde.»

Então a serpente disse-me: «Não temas, não temas, pequeno. Não mostres esse rosto pálido, agora que tu vieste até mim. Repara, o deus permitiu que tu vivesses, pois que ele trouxe-te até esta ilha do ka, onde não falta nada e está cheia de coisas boas. Irás passar aqui mês após mês, até cumprires quatro meses nesta ilha. Então virá um barco do Egito com marinheiros teus conhecidos. Voltarás com eles para casa e morrerás na tua cidade. Quão feliz é aquele que pode contar o que se passou depois de passados os maus momentos!

Mas deixa-me agora contar-te uma história, parecida com a tua, e que aconteceu nesta mesma ilha, onde eu estava com os meus familiares, entre os quais havia crianças. Ao todo éramos setenta e cinco serpentes, com as minhas crianças e outros parentes, sem contar com uma moças de tenra idade e que eu obtive por uma prece. Então caiu uma estrela e todos morreram nas chamas. Isso aconteceu quando eu não estava com eles, e eles arderam, sem que eu estivesse com eles. Na altura desejei estar morto no lugar deles, quando os encontrei num monte de cadáveres. Se tu és forte, fortalece o teu coração, pois tu apertarás os teus filhos no teu peito, beijarás a tua mulher, voltarás a tua casa, e isso vale mais que tudo. Voltarás à tua terra e viverás com os teus irmãos.»

Eu estava estendido sobre o meu ventre, tocando com a cabeça o solo diante dela e disse: «Falarei do teu poder ao soberano, e farei com que ele conheça a tua grandeza. Farei com que te levem unguentos preciosos, como os perfumes ibi, hekenu, Ludeneb, khcdait, assim como o incenso dos templos que é costume oferecer aos deuses. Contarei então o que se passou nesta ilha, lembrando-me do que vi, graças ao teu poder. Serás bem recompensada na cidade, diante dos notáveis do país. Sacrificarei por ti touros em holocausto, e para ti torcerei os pescoços das aves sacrificadas. Far-te-ei chegar navios carregados com todos os produtos preciosos do Egito, como se deve fazer para um deus que ama os homens, num país distante que os homens não conhecem.»

Ela riu-se de mim e daquilo que eu tinha dito de forma insensata, dizendo-me: «Tu não tens muita mirra, embora tenhas nascido possuidor de incenso. Na verdade, eu sou o soberano de Punt, tenho todo o incenso. Quanto ao perfume que me querias trazer, ele é o principal produto desta ilha. Quando chegar a hora de partires, nunca mais verás esta ilha, que se transformará em ondas.»

   Quando finalmente chegou o navio, como a serpente tinha previsto, subi a uma árvore alta para olhar e reconheci os marinheiros que estavam a bordo. Voltei atrás para avisar a serpente mas ela já sabia.

E então disse-me: «Adeus, adeus pequeno, volta para tua casa e revê os teus filhos. Faz o meu bom renome na tua cidade, é tudo o que eu peço de ti.»

Então dobrei-me sobre o ventre com os braços estendidos para ela e ela deu-me uma carga com mirra e toda a espécie de perfumes, como bzkenu, Ludeneb, khe^alt, tichepés, chacuekh, galena, caudas de girafa, resina de terebinto, presas de elefante, cães de caça, macacos e babuínos, e toda a espécie de produtos preciosos de qualidade. Carreguei tudo no navio. Depois, quando eu me baixei para lhe agradecer, ela disse-me: «Olha, tu chegarás ao teu país dentro de dois meses, apertarás no teu peito os teus filhos, regressarás rejuvenescido ao [teu] país e serás nele sepultado.»

Então desci até à margem, em frente do navio, e saudei a tripulação que estava no navio. Na margem agradeci ao senhor da ilha, e assim fizeram todos os que estavam a bordo. Tomámos então a direcção do Norte, para a corte do soberano, e chegámos ao país passados dois meses, exatamente como a serpente havia previsto.

Fui então introduzido junto do soberano e entreguei-lhe todos os pre­sentes que trouxera da ilha. Ele agradeceu-me muito, na presença dos notáveis de todo o país, e depois fui elevado à categoria de companheiro e recompensado com servos.

Olha para mim, cheguei a terra, depois de ver tudo o que vi. Escuta-me, pois é útil saber escutar.»

Mas o comandante respondeu-me: «Não te armes em entendido, meu amigo. Quem é que vai dar água a beber a uma ave que vai ser sacrificada na manhã seguinte?»

Mitologia Egípcia
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TEXTOS
Civilização Egípcia
A rainha Isis

O túmulo do faraó Tutmósis III, no Vale dos Reis, é de difícil acesso,- primeiro temos de subir uma escada de metal instalada pelo Serviço das Antiguidades e depois entrar num estreito túnel que penetra rocha adentro. Os claustrófobos vêem-se obrigados a desistir; mas o esforço é recompensado porque, no fim da descida, descobrimos duas salas: uma de teto baixo, com paredes decoradas com figuras de divindades, e outra mais vasta, a Câmara da Ressurreição. Em suas paredes, os textos e as cenas do Amâuat, "O Livro da Câmara Oculta", revelam as etapas da ressurreição do Sol nos espaços noturnos e a transmutação da alma real no Além. Num dos pilares, uma cena surpreendente: uma deusa, saída de uma árvore, amamenta Tutmósis III. Amamentado desse modo para a eternidade, o faraó é regenerado para sempre. O texto hieroglífico indica-nos a identidade dessa deusa de inexaurível generosidade: ísis. Mas ísis é também o nome da mãe terrena desse rei, uma mãe cujo rosto foi preservado numa estátua descoberta no famoso esconderijo do templo de Karnak:1 de faces cheias, tranqüila e elegante, a mãe real ísis exibe longas tranças e um vestido de alças. Está sentada, com a mão direita sobre a coxa, e tem na mão esquerda um cetro floral. Apenas sabemos que o filho a venerava, e que ela tinha o nome da mais célebre das deusas do Antigo Egito.

Mitologia Chinesa
O que é mito?

Ao longo de milhares de anos, a palavra mito passou por uma metamorfose etimológica e é, agora, muitas vezes usada para descrever uma mentira ou crença estúpida. Isso é um mito é uma forma de dizer que alguma coisa não é verdade, quando, na realidade, mito é verdade. As pessoas vem contando essas historias sagradas há milhares de anos, não apenas para compreender a si mesmas, mas para compreender melhor o mundo e o significado por trás da existência.

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Cosmogonia
Antropogênese
Apocalipse
Mitologia Egípcia | Cosmogonia
A criação do mundo por Atum
Nada ainda existe no mundo a não ser Nun, o grande oceano primitivo que um dia será chamado pelos sábios de “sagrado Nilo”. Ao seu redor, reinam o silêncio, as trevas e o caos infinito, não havendo ainda olho humano que possa perceber a ausência das formas, dos volumes e das cores. Não há nem mesmo morte nesse opaco universo, já que vida alguma existe ali. O informe deus Nun permanece imerso desde sempre em seu sono primitivo, não passando ele — e o próprio universo, já que Nun e ele se confundem — de um grande espelho liquefeito de águas imparciais, escuras e salientes, a refletirem o nada inexpressivo que habita o mundo. E então, inesperadamente, o grande mistério acontece: Nun começa subitamente a mover-se, despertando, enfim, de seu longo sono primordial. Negras tempestades agitam o espelho opaco das águas revoltas enquanto grandes massas escuras de água são lançadas para o alto, fazendo explodir em todas as direções, imensos e trepidantes jorros de espuma negra. Aos poucos a força vital de Nun começa a operar, e das profundezas do mar revolto surge lentamente uma pequena ilha envolta pelo impenetrável manto da escuridão. Um primeiro progresso se fez perceber, pois onde antes havia somente uma, agora ha duas trevas: a treva imóvel da terra e a treva ondulante do mar.
Mitologia Egípcia | Antropogênese
A criação dos homens
Rá era o grande deus que no princípio apareceu sob a forma de Nun. Diariamente, Rá percorria o seu caminho solar no horizonte. Ele era o pai dos pais e a mãe das mães. Despojou-se de tudo aquilo que havia nele. Levou muitos nomes e apareceu sob muitas formas, com os nomes de Aton, Hórus de Hekem e Horakhti. Rá formou a terra e povoou-a de plantas e animais. Ordenou as águas e deu-lhes o seu rumo. Então uma vaca surgiu das águas e tornou-se no céu sobre a água e a terra. Rá também governava os arcanos para lá do horizonte e pacificava os deuses que estavam descontentes ou ociosos. Para criar os homens chorou, e das suas lágrimas surgiram os homens que povoaram a terra. Ofereceu também aos animais o milagre do amor e tornou-os ativos, para que eles pudessem desfrutar da sua existência no mundo. Depois regulou a duração da noite e da duração do dia. Fixou as estações e fez com que o rio Nilo, sazonalmente, inundasse as terras e depois se retirasse para o centro do vale, para que homens e animais pudessem viver. Para regozijo do país e para que o recordassem, instituiu um calendário de festas.
Mitologia Egípcia | Cosmogonia
O mito como emotividade
Mito, sendo emotividade, também é fala que se escora no sentimento, derivando de uma vivência experimentada. Ao traduzir urna emoção e um sentimento, o texto mítico intelectualiza, exprimindo-os através da linguagem, o que pressupõe urna atividade racional que maneja urna apelativa simbologia (Ernst Cassirer): movendo-se no amplo campo do símbolo, o mito torna o real pensável, neutralizando contradições e acalmando anseios. Por outro lado, apresentando-se como uma espécie de "metafísica arcaica" (Mircea Eliade), o mito serena as objetivações de sentimentos básicos: o terror perante a morte ou a incerteza face aos elementos naturais. Quer ponha ou não em ação unia hierogamia, o mito cosmogônico, para além da sua importante função de modelo e de justificação de todas as ações humanas, forma também o arquétipo de um conjunto de ritos e sistemas rituais (Mircea Eliade) - Enfim, os mitos justificam as liturgias rituais que asseguram a instalação da comunidade na paisagem dos deuses e dos homens e o bom curso do universo (George Gusdorf).
Mitologia Egípcia | Cosmogonia
A criação do mundo por Ptah
A sua Enéade está diante dele como os dentes e os lábios de Aton, como o sêmen de Aton. A Enéade de Aton formou-se a partir do seu sêmen e dos seus dedos. A Enéade é verdadeiramente os dentes e os lábios na boca que proclamou o nome de todas as coisas. Dela saíram Chu e Tefnut, assim nasceu a Enéade. O coração manifestou-se sob a forma de Aton. A língua manifestou-se sob a forma de Aton. O deus maior é Ptah, que fez confiar a vida a todos os deuses e aos seus Kau. O seu coração é onde Hórus se manifesta em Ptah. A sua língua é onde Toth se manifesta em Ptah. Então o coração e a língua tornaram-se nos que têm poder sobre os membros, segundo o ensinamento que surge em todo o corpo e em toda a boca de todos os deuses, de todos os homens, de todo o gado, de todos os vermes e de todas as coisas vivas, de acordo com o plano que comanda todas as coisas que ele ama. A visão dos olhos, o escutar das orelhas e o respirar da garganta sobem diante do coração. Ele gerou todos os deuses, e completou a sua Enéade. Na verdade, toda a palavra divina nasce a partir do conhecimento do coração e do comando da língua.
Planeta Egito - Ep. 04
Duração: 43m59s Audio: Legenda:
A busca da eternidade
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O príncipe esquecido
Um personagem que foi importante como forte candidato no apagar das luzes do Império, hoje está quase totalmente esquecido, não fosse o notável livro de Mary Del Priore O príncipe maldito (ed. Objetiva, 2006). Era o belo jovem príncipe D. Pedro Augusto de Saxe Coburgo, neto de D. Pedro II e filho de sua segunda filha, d. Leopoldina, casada com o príncipe Augusto (Gusty) Saxe Coburgo. No entanto, o título de “príncipe maldito” parece impróprio, já que ele nada fez que provocasse maldição, nem maldades.
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Aspectos históricos da neuropsicologia e o problema mente-cérebro
No lado diametralmente oposto do espectro de posições sobre a relação mente-cérebro, encontra-se o eliminativismo ou materialismo eliminativo. Uma das princi­pais teses do eliminativismo é a de que a folk psychology (psicologia popular) trabalha com categorizações falsas, terminologias herdadas de um passado remoto que pre­cisam ser eliminadas para um progresso da compreensão da relação cérebro-mente. As­sim como a teoria do phlogiston foi supera­ da cientificamente e tornada obsoleta pelas pesquisas empíricas em oxidação, também muitas classes de supostos estados mentais seriam apenas ilusões. Ainda que permane­çam em nosso vocabulário explicativo, esses entia non-gratia não possuiriam qualquer capacidade causal, nem sequer existiriam, tal como bruxas, almas, elán vital, etc. Entre as entidades mentais que essa linha de pen­samento pretende eliminar, encontram-se, por exemplo, atitudes preposicionais: rela­ções entre conteúdos proposicionais e uma determinada postura mental com implica­ções práticas (p. ex., acreditar, desejar, espe­rar) (P. M. Churchland, 1981; P. S. Churchland, 1986). Também foi proposto por eliminativistas (Dennett, 1992) que a no­ção de qualia (sensações e experiências co­mo estados subjetivos qualitativos) poderia ter um caráter ilusório e não ter a existência que lhes é atribuída na psicologia popular.
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O lugar do ser humano na natureza e na evolução
O modo tradicional de concluir os livros sobre a evolução humana é discorrer sobre as maneiras nas quais nosso passado evolucionário é impor­tante para a compreensão do mundo atual. Isso não é tão difícil se o livro for como o African Genesis, de Ardrey, cujo tema - a evolução de um macaco assassino para um humano assassino - tornava fácil a defesa da ideia de que é importante entender o aspecto violento da natureza humana. No caso de muitos dos livros de antropologia mais tradicionais, essa argumentação seria impossível, uma vez que eles, com frequência, afirmam que o principal padrão verificado na evolução humana é o de que os humanos vêm gradualmente se libertando do jugo da seleção natural, e que os efeitos do meio ambiente sobre eles vêm se reduzindo. Se os humanos moldam sua evolução mais que a evolução molda os humanos, o papel do passado teria algum interesse mas pouca importância.
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Guerras Púnicas
As Guerras Púnicas marcaram um período crucial na história de Roma, quando passou de potência puramente italiana, em 265, a força dominante no Mediterrâneo, em 146, um processo que a História de Polibio tem como propósito explicar. Nesta altura, estavam já criadas seis províncias ultramarinas: Sicília, Sardenha e Córsega, Hispânia Citerior, Hispânia Ulterior, África e Macedônia. A exceção desta última, todas foram adquiridas através do conflito com Cartago. Em finais do século, foram criadas
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Evolução humana: Por que a África?
A evolução é sempre associada ao tempo. Afinal, a evolução é um processo que ocorre ao longo do tempo, e são os extraordinariamente longos períodos de tempo em questão que despertam nossa imaginação. Dinossauros que existiram por cem milhões de anos ou hominídeos que evoluíram ao longo de sete milhões de anos, são essas as coisas que tornam a evolução diferente dos demais ramos da ciência ou da vida cotidiana. A pergunta sobre se haveria períodos de tempo geológico mais interessantes que outros ocorre com facilidade.