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Estados Unidos
Liberdade e regulação em uma sociedade de mercado
O propósito deste trabalho é examinar criticamente as obras de Émile Durkheim e Karl Polanyi centrando-nos nas convergências que ambos manifestam ao perceber e, de certo modo, antecipar os limites do mercado para apoiar uma ordem social. Embora situados em diferentes contextos históricos e expressando tradições teóricas divergentes, os dois compartilham uma atitude crítica frente à suposta autossuficiência dos mercados autorregulados, pondo a nu os dilemas de uma sociedade de mercado. Com matizes, coincidem ao sugerir que liberdade não equivale a desregulação e que a afirmação da individualidade não deve ser confundida com ausência de regulação. Suas obras podem ser lidas como tentativas de fundamentar a necessidade de uma instância de coordenação, propondo uma conexão entre indivíduo, mercado e Estado que ainda hoje resulta fecunda para considerar esse complexo vínculo. Cada um, à sua maneira, articulou respostas alternativas frente aos riscos de um mercado desregulado, apelando para o amparo à sociedade como um recurso para rebater os efeitos de um mercado exacerbado.
Rússia
A guerra fria
No final da Segunda Guerra Mundial, as duas novas potências pareciam relativamente equiparadas, pois ambas eram potências industriais e tinham população equivalente, os Estados Unidos com 151 milhões e a União Soviética com 182 milhões. No entanto, os dados populacionais eram uma ilusão, pois a cifra soviética era resultado do ocultamento das baixas de guerra e pode ter sido de apenas 167 milhões. A indústria soviética, no entanto, era a terceira em 1940 atrás dos Estados Unidos e da Alemanha, e grande parte dela estava agora em ruínas. A devastação do país era sem precedentes, mesmo na Alemanha, e os Estados Unidos não tinham sofrido nenhum dano de guerra, exceto em Pearl Harbor e nas ilhas Aleutas. A guerra restaurou a prosperidade americana após a Depressão e foi um enorme estímulo para a tecnologia e indústria dos Estados Unidos, como demonstrou o rápido sucesso do projeto atómico. Nessa época, Stalin estava convencido de que, depois da guerra, as "contradições" entre os Estados Unidos e outras potências ocidentais aumentariam. Ele antecipava em especial uma recuperação e rearmamento rápido da Alemanha e do Japão. Poderia haver finalmente outra guerra entre as potências ocidentais. Certos membros da hierarquia soviética questionavam essa visão, indicando que a Inglaterra, apesar de todas as suas diferenças com os Estados Unidos, era fundamentalmente dependente do dinheiro e poder americano, e a
Civilização Indiana
Uma breve história da Índia, da obscuridade aos guptas
Existem varias dificuldades na elaboração de uma síntese histórica da Índia. Para termos uma ideia dessas dificuldades, basta lembrar que a primeira data rigorosa da História da Índia é o ano 326 a.e.c. que assinala a invasão macedônica. Conhecemos, evidentemente, a existência de uma série infinda de acontecimentos que marcaram a vida política da grande península asiática através de milênios: faltam-nos, porém, os meios para uma exposição histórica segura e rigorosa que consiga estabelecer, com exatidão cronológica, a sequência no tempo e no espaço de boa porção dos citados acontecimentos. A Índia conheceu culturas paleolíticas e neolíticas que deixaram numerosos vestígios. A idade dos metais deixou também suas
França
Infância, uma evolução do despudor medieval à moral moderna
Uma das leis não escritas de nossa moral contemporânea, a mais imperiosa e a mais respeitada de todas, exige que diante das crianças os adultos se abstenham de qualquer alusão, sobretudo jocosa, a assuntos sexuais. Esse sentimento era totalmente estranho à antiga sociedade. O leitor moderno do diário em que Heroard, o médico de Henrique IV, anotava os fatos corriqueiros da vida do jovem Luís Xlll ' fica confuso diante da liberdade com que se tratavam as crianças, da grosseria das brincadeiras e da indecência dos gestos cuja publicidade não chocava ninguém e que, ao contrário, pareciam perfeitamente naturais. Nenhum outro documento poderia dar-nos uma ideia mais nítida da total ausência do sentimento moderno da infância nos últimos anos do século XVI e início do XVII.
Filosofia Clássica
Entendendo Platão, um suprassumo em 5 minutos
Platão, o mais 'nobre' dos discípulos de Sócrates, foi o seu mais fiel defensor e o que mais fez referências a ele, a tal ponto que os estudiosos chegam a ter certa dificuldade em separar as ideias e conceitos de Sócrates, que nunca escreveu nada, das ideias e conceitos do próprio Platão, que se tornou assim, a voz socrática que ecoa ao longo dos milênios. Platão nasceu em berço de ouro no V século antes da era comum mais precisamente em 428, e morreu em 347. Sua educação, como a de qualquer cidadão de família aristocrática, foi voltada ao governo e a guerra, educado nas letras clássicas e nos esportes, fato comprovado pelo seu epiteto 'Platão' que significa 'costas largas'. Platão era o filósofo atleta. Não há relatos sobre sua vida amorosa, diferentemente de Aristóteles que era conhecido por seu amor ao sexo feminino. Platão fora fortemente abalado e influenciado pelo julgamento, condenação e execução de Sócrates, fato que considerava até certo ponto como sua própria culpa.
Civilização
A descoberta da infância
Até por volta do século XII, a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo. Uma miniatura otoniana do século XII nos dá uma idéia impressionante da deformação que o artista impunha então aos corpos das crianças, em um sentido que nos parece muito distante de nosso sentimento e de nossa visão. O tema é a cena do Evangelho em que Jesus pede que se deixe vir a ele as criancinhas[1], sendo o texto latino claro: parvuli. Ora, o miniaturista agrupou em torno de Jesus oito verdadeiros homens, sem nenhuma das características da infância: eles foram simplesmente reproduzidos em uma escala menor. Apenas seu tamanho os distingue dos adultos. Em uma miniatura francesa do fim do século XII as três crianças que São Nicolau ressuscita estão representadas numa escala mais reduzida que os adultos, sem nenhuma diferença de expressão ou de traços. O pintor não hesitava em dar à nudez das crianças, nos raríssimos casos em que era exposta, a musculatura do adulto: assim, no livro de salmos de São Luís de Leyde[2] datado do fim do século XII ou do início do XIII, Ismael, pouco depois de seu nascimento, tem os músculos abdominais e peitorais de um homem. Embora exibisse mais sentimento ao retratar a infância, o século XIII continuou fiel a esse procedimento. Na bíblia moraliza da de São Luís, as crianças são representadas com maior freqüência, mas nem sempre são caracterizadas por algo além de seu tamanho. Num episódio da vida de Jacó, Isaque está sentado entre suas duas mulheres, cercado por uns 15 homenzinhos que batem na cintura dos adultos: são seus filhos[3]. Quando Jó é recompensado por sua fé e fica novamente rico, o iluminista evoca sua fortuna colocando Jó entre um rebanho, à esquerda, e um grupo de crianças, à direita, igualmente numerosas: imagem tradicional da fecundidade inseparável da riqueza. Numa outra ilustração do livro de Jó, as crianças aparecem escalonadas por ordem de tamanho.
Civilização
O surgimento do conceito das idades da vida
Um homem do século XVI ou XVII ficaria espantado com as exigências de identidade civil a que nós nos submetemos com naturalidade. Assim que nossas crianças começam a falar, ensinamos-lhes seu nome, o nome de seus pais e sua idade. Ficamos muito orgulhosos quando Paulinho, ao ser perguntado sobre sua idade, responde corretamente que tem dois anos e meio. De fato, sentimos que é importante que Paulinho não erre: que seria dele se esquecesse sua idade? Na savana africana a idade é ainda uma noção bastante obscura, algo não tão importante a ponto de não poder ser esquecido. Mas em nossas civilizações técnicas, como poderíamos esquecer a data exata de nosso nascimento, se a cada viagem temos de escrevê-la na ficha de polícia do hotel, se a cada candidatura, a cada requerimento, a cada formulário a ser preenchido, e Deus sabe quantos há e quantos haverá no futuro, é sempre preciso recordá-la. Paulinho dará sua idade na escola e logo se tornará Paulo N, da turma x.
Cultura
Da aprendizagem tribal nasce a Escola, e com esta, acentua-se a diferença de classes
Mesmo em algumas sociedades primitivas, quando o trabalho que produz os bens e quando o poder que reproduz a ordem são divididos e começam a gerar hierarquias sociais, também o saber comum da tribo se divide, começa a se distribuir desigualmente e pode passar a servir ao uso político de reforçar a diferença, no lugar de um saber anterior, que afirmava a comunidade. Então é o começo de quando a sociedade separa e aos poucos opõe: o que faz, o que se sabe com o que se faz e o que se faz com o que se sabe. Então é quando, entre outras categorias de especialidades sociais, aparecem as de saber e de ensinar a saber. Este é o começo do momento em 'que a educação vira o ensino, que inventa a pedagogia, reduz a aldeia à escola e transforma "todos" no educador.
Civilização
O processo de ensino-aprendizagem nas sociedades tribais
De tudo o que se discute hoje sobre a educação, algumas das questões entre as mais importantes estão escritas nesta carta de índios. Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante. Em mundos diversos a educação existe diferente: em pequenas sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades; em sociedades camponesas, em países desenvolvidos e industrializados; em mundos sociais sem classes, de classes, com este ou aquele tipo de conflito entre as suas classes; em tipos de sociedades e culturas sem Estado, com um Estado em formação ou com ele consolidado entre e sobre as pessoas. Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo; ela existe em cada povo, ou entre povos que se encontram. Existe entre povos que submetem e dominam outros povos, usando a educação como um recurso a mais de sua dominância. Da família à comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios do aprender; primeiro, sem classes de alunos, sem livros e sem professores especialistas; mais adiante com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos.
Psicologia Evolucionista
Quatro questões sobre o comportamento animal
De uma forma ou outra, o comportamento animal tem sido estudado por milhares de anos. O comportamento animal era importante nas eras antigas por alguns dos mesmos motivos que é importante agora. Os caçadores e pescadores mais habilidosos geralmente são aqueles que conseguem fazer previsões sobre o comportamento de sua presa. É importante saber que salmões em desova não respondem à isca do pescador, que os roedores fogem em direção ao escuro enquanto os pássaros fogem rumo à luz e que muitos animais lutarão, alguns ferozmente, quando capturados. Por razões práticas o estudo do comportamento animal ocupou a franja da consciência humana durante séculos. Mais recentemente, quando os animais foram domesticados e postos a trabalhar, se tornou necessário a aprendizagem de algumas coisas sobre eles. Cavalos poderiam ser treinados para serem montados e para puxarem carros ou ferramentas agrícolas. Cães poderiam ser treinados para rastrearem presas ou protegerem os humanos, os gatos não.
Textos
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Calpulli: Matriz dos deuses tribais

Um dos aspectos mais interessantes da organização social dos astecas era o calpulli, espécie de bairro ou distrito administrativo autónomo onde se agrupavam pessoas de uma mesma etnia com o fim de cultivar glebas comunitárias de terra. Cada calpulli estava separado dos demais, havendo zonas-limite habitadas pelos chuican chaneque ("os donos dos lugares perigosos”), espécie de duendes ou semideuses dotados de poderes malignos, capazes de provocar danos ao invasor desavisado ou mal-intencionado (uma das modalidades mais comuns do malefício era a de “sequestrar” a alma (tonalli) do invasor por meio de um bom susto, escondendo-a depois nas profundezas da terra).

Xibalbá, o mundo inferior maia

O segundo livro do Popol Vuh, os textos sagrados maias, conta a história de dois deuses heróis que se aventuram no Xibalbá, para vingar o assassinato de seu pai e tio pelos deuses do Mundo Inferior, Muitas imagens de deuses maias da morte foram encontradas nos templos. Referem-se a eles como "Deus da Morte L", ou "Deus da Morte D", também conhecido como Itzamná. O Xibalbá era famoso por seu cheiro de podre e vapores sulfurosos.

Maias, os mestres da América

Estima-se que ao redor de 700 a.e.c., os primeiros maias surgiram na península de Yucatán, localizada entre a América do Norte e a América Central. Na sua fase de formação, a sociedade herdou vários elementos de outras culturas, como os olmecas, que habitavama região. Mas talvez esta data inicial esteja subestimada pela ciência contemporânea. Máscaras com dentes de serpente e um conjunto de peças de jade, achados na Guatemala em maio de 2004, podem ser os sinais que faltavam para comprovar que a civilização maia tenha começado muito antes do que se pensava: em 1500 a.e.c.

Os Meso-americanos
A Meso-américa é uma região geocultural que, atualmente, é ocupada pelo México, Guatemala, Honduras, Costa Rica, Belize e el Salvador. Pensase-se que os primeiros povos a chegar a esta região, há cerca e 35 mil anos, terão atravessado a estreita faixa de terra que atravessa o Estreito de Bering, enreo que é hoje a Rússia e o alasca, e posteriormente se tenham deslocado para o sul. Desde cerca de 2500 a.e.c. até a invasão dos espanhóis em 1519 d.e.c., a Meso-américa era o centro de várias civilizações muito desenvolvidas no que se refere à língua, à escrita, à arte, à arquitetura, à matemática, à astronomia e à agricultura. Basicamente, estas civilizações eram conhecidas como Olmeca, Maia, Tolteca e Asteca. Não havia um governo central e unificado e a região estava separada em várias cidades-estado individuais que, frequentemente, se digladiavam.
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Mitologia
  • Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda

    Os mitos arturianos são uma categoria única
na mitologia. Esta normalmente agrupa-se por culturas, como a suméria ou a asteca, mas os mitos arturianos foram-se desenvolvendo ao longo de pelo menos oito séculos com a junção de algumas tradições. Nesta mitologia misturam-se elementos celtas, germânicos, franceses e outras mitologias ancestrais da Europa com compon

História
  • Liberdade e regulação em uma sociedade de mercado

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História
  • A religião e a filosofia na China antiga

    As ideias religiosas e filosóficas dos chineses despertaram sempre grande curiosidade entre os europeus. Nos tempos modernos foram sobretudo os missionários jesuítas que chamaram a atenção dos intelectuais do Ocidente para a riqueza cultural da China. «Bouvet trouxe a primeira biblioteca chinesa para a corte de Luís XIV, e nos salões parisienses esteve na moda e