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A colonização viking do Atlântico Norte
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(James Graham-Campbell)

Vários dos vikings que deixaram a Noruega para fazer incursões ao longo das costr da Escócia e da Irlanda permaneceram ali como agricultores. Mas alguns deles - ou alguns da segunda geração de colonos - rapidamente navegariam de novo para ocidente, desta vez com destino ao Atlântico Norte: as ilhas Feroe, a Islândia e, finalmente, a Groenlândia e a América do Norte. Outros fizeram a viagem diretamente para oeste partindo da Noruega. Muitos sustentam que a casualidade desempenhou o papel principal na migração viking para ocidente, mas a esta distância no tempo é difícil saber até que ponto a necessidade e a resolução, mais que a simples curiosidade e os ventos dominantes, os guiou na procura de novas terras.

Não há duvida de que a viagem era perigosa. Havia que ultrapassar os obstáculos perigosos naturais do Atlântico Norte, como os icebergs, não nos surpreendendo ouvir falar de afundamentos de barcos com as suas tripulações. Não sabemos muito sobre os métodos de navegação vikings. Nas aguas costeiras, teriam usado sinais conhecidos para guiar os barcos, e, quando não avistavam terra, provavelmente calculavam a sua posição em relação com o porto do país ou o ponto de destino utilizando algum tipo de medida padrão, como um mastro graduado ou uma pedra-do-sol, para calcular a altura aparente do Sol ou da Estrela Polar a noite ("navegação de altura"). Foi-se adquirindo progressivamente um conjunto de conhecimentos sobre rotas, épocas de navegação entre lugares conhecidos, mares, ventos e correntes que foi transmitido de geração em geração; meios de que não dispunham, no entanto, os primeiros aventureiros que cruzaram as aguas desconhecidas do Atlântico Norte. Os escritores de sagas não hesitaram acerca do seu valor, enquanto os desembarques conseguidos posteriormente ficaram por registrar como se fossem acontecimentos comuns.

O fator significativo no impulso para o ocidente através do Atlântico Norte, em oposição as viagens vikings mais para o sul, e que o motivo principal parece ter sido a colonização - a ocupação de terras e a exploração - antes que as correrias e os saques.

Estas terras novas não eram habitadas, o que altera a nossa maneira de ver hoje os acontecimentos. Ao contrário das incursões vikings na Europa Ocidental, onde os cronistas contemporâneos dentre a população local estavam a mão para descrever os seus atos de pirataria, não havia ninguém para facilitar uma informação de primeira mão sobre o que aconteceu no Atlântico Norte. A nossa informação documental provem principalmente das sagas, que foram escritas muito depois dos acontecimentos e certamente depois de a historia ter sido embelezada na transmissão.

Apesar de todas as glorias e proezas vikings que as sagas contam, os nórdicos não foram os primeiros a chegar às ilhas do Atlântico Norte. O monge irlandês Dicuil, escrevendo na França em 825, diz-nos no Livro da dimensão da Terra (Liber de Orbis Mensura Terrae) que desde 700, aproximadamente, existia, entre certos monges mais ousados, o costume de atravessar as aguas inexploradas nas suas frágeis embarcações (provavelmente, simples barcos de couro conhecidos pelo nome de curraghs), estabelecendo-se na primeira ilha desabitada que encontraram e construindo celas simples onde viviam como eremitas, dedicando sua vida a Deus. Os vikings que encontraram estes monges na ilhas Feroe, e também na Islândia, chamaram-nos papar (os pais). Como correspondia ao seu estilo de vida, os eremitas, pelo visto, fugiram dos imigrantes; Ari Thorgilsson conta-nos que deixaram para trás os seus livros, sinos e báculos. No entanto, há poucas provas da sua ocupação. Para além dos escritos de Dicuil e de Ari, só remanescem alguns topônimos e restos arqueológicos efêmeros.

As ilhas dos cordeiros

É Dicuil quem nos proporciona a nossa primeira visão histórica das ilhas Feroe, um grupo de ilhas de margens escarpadas situadas no Atlântico Norte, a meio caminho entre as Shetland e a Islândia:

"Há muitas outras ilhas no oceano ao norte da Grã-Bretanha, onde se pode chegar partindo das ilhas Britânicas que estão mais ao norte em dois dias e duas noites de navegação, com velas desfraldadas e vento favorável [...]. Certo homem santo me comunicou que [...] desembarcou numa delas. Nessas ilhas, eremitas que navegaram desde Scotia (Irlanda) viveram ali desde há cem anos aproximadamente. Mas [...] agora por causa dos piratas nórdicos elas estão vazias de anacoretas e cheias de inumeráveis cordeiros e de grande numero de aves marinhas."

Por isso sabemos que havia cordeiros nas ilhas antes da chegada dos nórdicos por volta de 860-870; por conseguinte, não é raro que os colonizadores as chamassem ilhas Faereyjar, ou ilhas dos Cordeiros.

Deixemos que a Saga dos ilhéus das Feroe (Faereyinga Saga) nos proporcione a identidade do primeiro colonizador nórdico:

"Havia um homem chamado Grim Kamban; foi o primeiro homem que se estabeleceu nas ilhas Feroe. Mas no tempo do rei Haroldo, o Cabelo Belo, muita gente fugiu (da Noruega) por causa da sua tirania. Alguns se decidiram pelas Feroe e se estabeleceram ali, enquanto outros foram para outros países desabitados."

Apesar de o escritor afirmar que era norueguês, o nome celta Kamban indica que Grim pode ter sido um colonizador escandinavo procedente das ilhas Hebridas ou da Irlanda.

Vários cordeiros de pedra com gravuras simples, como as que se encontraram em Skuvoy, junto com alguns topônimos que contém o elemento papa, foram tradicionalmente considerados como dados que corroboram a informação de Dicuil sobre a presença de monges irlandeses nas ilhas. No entanto, não se fez nenhum achado arqueológico relacionado com os lugares cujo nome integravam papa, e a forma simples dos cordeiros gravados não prova por si própria a sua data tão antecipada. Argumentou-se recentemente que as amostras de pólen da ilha de Mykines demonstram que se cultivavam cereais na ilha no século VII. Não obstante, a data das amostras de pólen é discutível. Se os três elementos de informação pudessem ser estabelecidos com certeza, as declarações que apoiam o informe de Dicuil seriam realmente convincentes.

Mas, à luz da nossa interpretação atual do registro arqueológico, é impossível defender a causa do indicio de colonização nas ilhas Feroe anterior à época viking.

A Saga dos ilhéus das Feroe diz-nos os nomes dos colonizadores e dos lugares onde se estabeleceram nas diferentes ilhas: por exemplo, sabemos que um certo Thrand tenha a sua fazenda em Gotu, em Eysturoy. Embora a veracidade da fonte na sua totalidade seja agora posta em duvida e ela não possa ser usada como um guia exato da primeira fase de colonização, ou landnam, das ilhas Feroe, traçaram-se os planos dos sítios mencionados nela e descobriram-se semelhanças espantosas com os modelos de povoações atuais. Não obstante, dado que os declives escarpados das ilhas, que emergem abruptamente do mar, limitam a zona de terra disponível para construir, esta correspondência de zonas de povoação que ajuda os arqueólogos na identificação dos lugares também pode criar problemas, já que as pessoas não se sentem entusiasmadas com o fato de se fazerem escavações em sua casa ou em seu jardim.

Escavaram-se cerca de 16 sítios nórdicos nas Feroe, mas poucos revelaram artefatos que remontem a colônia viking inicial; a maioria dos objetos recuperados, cuja data se pode calcular, pertencem ao século XI. As provas de colonização mais antigas remontam aos últimos anos do século X e encontraram-se em Kvivik e Fuglajordhur. Mas parte da localidade de Kvivik, construída junto da costa, sofreu a erosão das ondas e há indicações de que alguns lugares anteriores podem ter-se destruído do mesmo modo. A fazenda de Kvivik é o que melhor se conservou de todos os restos da época viking que hoje podem ser vistos nas ilhas Feroe. Consiste numa solida vivenda retangular com largas paredes de pedra e de tepe de um metro de altura, a qual contém uma grande lareira central e um buraco para brasas.

Embora uma extremidade desta construção se tenha perdido no mar, resta uma entrada lateral em uma das paredes remanescentes, que conduz diretamente a um riacho contiguo. Exatamente ao lado deste edifício há um estabulo que agora também está incompleto por causa da erosão do mar, e que deve ter alojado, aproximadamente, uma dezena de vacas em compartimentos de pedra. Acharam-se marcas de relva e córtices de Alamo-branco que formavam o telhado, um método que os colonizadores trouxeram da Escandinávia e que continuou a ser de uso comum nas Feroe até muito recentemente. A prova do carbono 14 nestes indícios confirma uma data inicial na fase de colonização dedicada a construção. As casas das ilhas Feroe também eram construídas com paredes de madeira e de pedra, feitas do mesmo modo que as casas escandinavas, embora isso requeira a importação de madeira para estas ilhas sem arvores. Tanto Kvivik como Fuglafjtordhr, que é um lugar parecido, mas não tão bem conservado, encontram-se nos limites das povoações atuais. Em Toftanes, no sul de Leirvik, em Eysturoy, onde uma área mais ampla estava disponível para a investigação, escavaram-se quatro edifícios, entre os quais alguns parecem ter sido reconstruídos. Estas escavações maiores tiveram grande significado para a nossa compreensão da economia das ilhas Feroe durante a primeira fase de colonização. O complexo consiste numa habitação com uma lareira central, um armazém e duas construções mais, que provavelmente incluíam uma cozinha. Um numero excepcionalmente grande de achados (cerca de 500 no total) foi recuperado, incluindo recipientes de esteatite (provavelmente trazidos da Escandinávia), contas de vidro, pedras de amolar de xisto e, o que eémais interessante, pela natureza excepcional das provas, viários artigos de madeira bem conservados, que incluem um tabuleiro de jogo. A prova do carbono 14 nestes artigos confirma que o lugar estava ocupado nos séculos IX e X. Os animais guardados na propriedade eram sobretudo cordeiros, como continua hoje a ser nas ilhas, mas também se encontraram alguns restos de vaca e de porco. Toftanes era obviamente um complexo agrícola de tamanho e importância consideráveis. Durante os meses de primavera e de verão, os animais deste tipo seriam levados para pastos ou invernadas elevados. Este sistema de criação de animais em uso na Noruega foi rapidamente adotado pelos fazendeiros vikings em outras regiões montanhosas. Neste ultimo caso, o elemento celta de alguns topônimos, aergi, pode ser prova de uma povoação da época viking, e este costuma ser o caso nas ilhas Feroe, provavelmente uma indicação de que os primeiros colonizadores vieram da Grã-Bretanha Ocidental, como Grim Kamban pode ter feito. As investigações arqueológicas recentes concentraram-se nestas fazendas de planalto.

Em Argisbrekka, por exemplo, foram encontradas várias casas feitas com paredes de tepe, de uma construção muito diferente da de outros edifícios da época viking nas ilhas, e isso sugere que era uma povoação só ocupada no verão, com a fazenda principal nas imediações de Eidhi, a aldeia mais próxima.

A recente descoberta de um grupo de túmulos pagãos em Sandur, na ilha meridional de Sandoy, proporcionou novas provas de uma anterior presença viking. As escavações feitas ali junto da igreja revelaram restos de extensas colônias, que incluem uma serie importante de igrejas de madeira primitivas, a mais antiga das quais se associa a um tesouro de moedas do século XI. Esta localidade ocupa uma zona de terra baixa e de livre desaguamento, muito diferente dos escarpados declives de basalto vulcânico e tufo das ilhas setentrionais, e, obviamente, teve uma historia de colonização tão longa como qualquer ilha Feroe. Apesar da sua notável concentração de restos da época viking, este lugar não é mencionado na Saga dos ilhéus das Feroe.

Até o achado dos túmulos pagãos em Sandur, praticamente as únicas sepulturas vikings que se conheciam nas ilhas Feroe estavam em Tjornuvik, no extremo norte de Streymoy. Descobriu-se ali um grupo de túmulos marcados com pedras numa área de desmoronamento de terras, na ponta de uma enseada. Eram tão escassos os bens mortuários que continham, que se sugeriu que as pessoas ali enterradas teriam sido vitimas de um naufrágio. Uma insígnia simples em forma de anel, de desenho irlandês do século X que se tornou habitual entre os vikings, confirma a identidade cultural destas pessoas. A distribuição destas insígnias aneladas, da Terra Nova a Escandinávia, demonstra que houve uma rede de contatos culturais que unia as colônias do Atlântico Norte.

Islândia: a terra do gelo

A Islândia encontra-se no meio do Atlântico a cerca de 800 milhas da costa do Sudoeste da Noruega. Os barcos que se faziam ao mar dos países escandinavos teriam demorado entre uma semana e um mês para chegar ali. Mesmo fazendo escala nas Shetland e nas Feroe, a viagem devia ser muito perigosa. As paisagens inóspitas da Islândia formaram-se com vulcões e gelo; os campos de lava e as geleiras cobrem quase três quartos da sua superfície, e a terra de cultivo limita-se a franja costeira e aos vales do sul e do sudoeste. Não obstante, a partir de 860, os povoadores vikings começaram a chegar ali em grande numero, num movimento colonizador que parece ter sido levado a cabo em circunstancias muito diferentes das que se introduziram nas Shetland e nas Orcades, ou nas ilhas Feroe, na esfera de influencia viking os historiadores medievais islandeses pensavam que teria sido a tirania impiedosa que o rei Haroldo exercia sobre os camponeses livres da Noruega o que teria levado muitos deles a procurar uma liberdade política nas novas terras a ocidente; outras sustentaram que a colonização foi incitada pela escassez de terras nos lugares de origem. Não há duvida, no entanto, de que alguns dos primeiros povoadores vinham da Grã-Bretanha e da Irlanda. Uma vez mais, e Dicuil quem nos da a primeira informação escrita sobre a ilha. A exatidão da sua descrição de fenômenos tão naturais como o sol da meia-noite é uma prova convincente da confiabilidade das suas fontes como testemunhos oculares:

"Faz agora trinta anos que os sacerdotes (clerici) que viveram nesta ilha desde o primeiro dia de fevereiro até o primeiro dia de agosto me disseram que não só no solstício de verão, mas também nos dias anteriores e posteriores, o sol poente esconde-se na hora do anoitecer como se estivesse atrás de uma pequena colina, e, portanto, não há escuridão durante este período de tempo, e qualquer tarefa que um homem deseje realizar, incluindo procurar piolhos na sua camisa, se pode fazer exatamente como em plena luz do dia. Os que escreveram que o mar é gelado à volta da ilha estão enganados [...] mas depois de um dia de navegação daqui para o norte encontrarão o mar gelado."

Esta e outras referencias documentais, que fazem alusão aos santos celtas que vagueavam pelo norte, como São Brandao, indica que "Thule" (agora identificada como a Islândia) era habitada desde 60 a 70 anos antes da chegada dos vikings. Não obstante, não há nenhuma prova arqueológica convincente que apoie uma presença pre-viking na Islândia. Alguns poucos topônimos com papa no Sudeste da Islândia foram motivo de muitos debates, mas as recentes escavações na ilha de Papey não localizaram nenhum rastro de povoação que remonte a uma época anterior ao século IX. As provas que em dado momento se supunham confirmar uma atividade viking nas ilhas Vestmanna são agora, geralmente, matéria de discussão. No passado, a existência de pequenos sinos em alguns túmulos pagãos fez pensar que indicava uma presença irlandesa pre-viking na Islândia, mas agora isto também está em questão porque não se encontraram outras semelhantes na Islândia. As sinetas podem ter sido amuletos. Em todo o caso, tal como nas ilhas Feroe, a chegada dos nórdicos provocou o afastamento dos papa.

A chegada dos nórdicos à Islândia é descrita no Livro dos islandeses (Islendingabok), escrito por Ari Thorgilsson, o chamado "pai da historia irlandesa", no inicio do século XII, mas não faz menção aos escandinavos a quem se atribui a descoberta da Islândia: o sueco Gardar Svavarson e os noruegueses Naddodd e Floki. Os seus nomes chegam-nos através das fontes latinas primitivas, a História da Noruega (História Norvegiae), escrita em 1170, e a História das antiguidades do reino da Noruega (Historia de Antiquitate Regum Norvagiensium), de cerca de 1180. O Livro da colonização (Landndmabok), originariamente compilado por Ari junto com outras na primeira metade do século XII, é a principal fonte de informação referente ao landnám ou fase de colonização. Proporciona-nos os nomes e biografias de 430 colonos com as suas reivindicações de terras. Por isso, é uma fonte única, ou conjunto de fontes, e entre outras coisas acabou por ser muito útil para os arqueólogos, indicando-lhes onde podiam localizar as colônias primitivas.

Segundo o Livro da colonização, o primeiro colono permanente da Islândia foi um homem chamado Ingolf. Quando avistou terra, contam que atirou os dois pilares de madeira do assento de honra que tinha trazido consigo da Noruega para o oceano, para ver onde encalhariam. Demorou dois ou três anos para localizar onde tinham ido parar, mas finalmente encontrou-os num lugar do Sudoeste da Islândia que conhecemos pelo nome de Reiquiavique. Hoje, a capital da ilha deve o seu nome, que significa "baia embaciada", as fontes de agua quente natural dos arredores. Embora as escavações no centro da antiga cidade tenham achado restos da época viking, não se encontrou nada que os una diretamente a fazenda original de Ingolf.

Segundo informação de Ari Thorgilsson, a colonização da Islândia completou-se em 60 anos, entre 870 e 930. Muitos dos primeiros colonos eram pagãos, e foram encontradas varias sepulturas com magnificas coleções de bens mortuários. No entanto, elas não são nem de longe suficientes para representar a população original, pois se calculou que cerca de 20000 pessoas vieram para a Islândia durante o período de colonização, aumentando posteriormente a população ate 60.000, aproximadamente. Cada palmo de terra fértil foi explorado pelos fazendeiros nórdicos, e os que chegaram depois do período principal de colonização só puderam escolher terras pobres. Um destes atrasados foi Erik, o Vermelho, um criminoso e desterrado politico da Noruega.

Como o interior da Islândia era em grande parte coberto de gelo ou de lava, a colônia nórdica concentrou-se na franja costeira e nos vales largos do sudoeste. A Área mais densamente povoada parece ter sido o vale Thjorsa. Hoje é um ermo coberto de detritos vulcânicos expelidos pelo monte Hekla, um dos maiores vulcões da Islândia. Sabe-se que entrou em fase de atividade no final do período viking, e varias fazendas da época viking e posteriores jazem sob um manto de cinza. Em muitos casos, pode saber-se da data da sua destruição, dado que se identificaram camadas de lava particulares com erupções documentadas, embora as datas não sejam tão exatas como se pensava antes.

Por muito tempo se pensou que uma das mais importantes destas erupções tinha acontecido em 1104. Supunha-se que esta tinha provocado o abandono da fazenda Stung, no extremo norte do vale Thjorsa, escavado pela primeira vez em 1939. No entanto, as recentes investigações revelaram que houve vários períodos sucessivos de ocupação deste lugar. Dois grupos de construções estão por baixo do que foi encontrado na primeira escavação, e a ocupação prosseguiu nos séculos XII e XIII. Uma camada de lava diferente, procedente de uma erupção recente, formou-se numa das construções de paredes de tepe mais altas, e a opinião geral sustenta que o cataclismo, que inicialmente se datou em 1104, pode, de fato, ter acontecido quase um século depois.

Um dos aspectos mais significativos da colonização viking da Islândia foi o estabelecimento de uma assembleia geral judicial: o Althing. Era uma reunião ao ar livre de todos os homens livres da ilha, celebrada todos os verões durante duas semanas em um lugar que chegou a ser conhecido pelo nome de Thingvellir. O Althing era presidido pelo logsogumadr (o homem que recita as leis), que era escolhido pelos chefes locais ou godar, e proporcionava a tribuna para estabelecer leis e atender queixas. Tradicionalmente, supõe-se que a primeira reunião do Althing aconteceu em 930, e esta data se manteve para assinalar o nascimento da Islândia como nação independente, livre de qualquer tipo de controle real: ao escrever no final do século XI, Adam de Bremen assinalou que "os islandeses não tem outro rei além das leis"

O Althing era o veiculo de todas as decisões importantes com relação ao conjunto da colônia. O cristianismo, por exemplo, foi introduzido oficialmente depois de longas discussões no Althing em 1000, embora se permitissem as praticas pagãs em privado a quem assim o desejasse. Abaixo do Althing estavam os Things regionais, que se reuniam regularmente para resolver assuntos locais e ouvir queixas. Foi em um deles, o Thing de Thorsnes, que Erik, o Vermelho, cujo temperamento fogoso fazia conjunto com a cor de seu cabelo, foi desterrado da Islândia em aproximadamente 980 por assassinato, com resultados transcendentes.

Groenlândia

Depois do seu desterro na Islândia, e ao poder regressar a Noruega, Erik navegou de novo para ocidente, procurando uma terra sem nome que tinha sido vista, mas não visitada, cerca de 60 anos antes por um homem chamado Gunnbjon Ulf-Krakuson, que tenha sido desviado da sua rota por tempestades violentas quando ia da Noruega para a Islândia. Erik teve êxito na sua procura. Três anos depois regressou à Islândia falando de uma terra que chamou Greenland (Terra verde). Tinha vindo à procura de colonos para fundar ali uma nova colônia, e a saga conta que lhe deu este nome para que soasse mais atraente. A isto se denominou a maior burla da história, embora os que hoje visitam a Groenlândia no verão fiquem surpreendidos com a quantidade de terra verde que encontram, sobretudo ao longo dos fiordes costeiros e nos vales interiores da Groenlândia Meridional. Talvez Erik tenha sido um pouco difamado; comparada com a propriedade de terra pouco fértil que lhe tinham dado na Islândia, a Groenlândia bem pode ter sido um nome apropriado.

Conta-se que Erik reuniu voluntários suficientes para preparar uma expedição de 25 barcos, e por volta de 985 zarparam rumo a Groenlândia. Só 14 barcos lá chegaram, contornando o cabo de Farewell para atingir os hordes protegidos da baia de Julienhab, como hole se chama o lugar onde havia um ancoradouro seguro, boa pesca e terra para o pastoreio. Estabeleceu-se ali a Colônia Oriental. Erik escolheu os lugares mais favoráveis para si mesmo, e a sua fazenda em Brattahlid, na ponta do Eiriksford, tornou-se o centro politico da colônia. Alguns membros do grupo de colonos de Erik continuaram a navegar mais 650 quilômetros ao longo da conta até chegarem ao refugio de Godthabsfjord (também é o seu nome moderno).

Fundaram ali a Colônia Ocidental - que fica muito mais a norte que a Colônia Oriental. As fontes escritas dizem-nos que a Colônia Oriental consistia em mais de 190 fazendas, e a Colônia Ocidental em cerca de 90; entre elas há um grupo menor de cerca de 20 fazendas, imaginariamente denominada Colônia Central. Nestes últimos anos, os extensos levantamentos de planos e escavações indicaram que esses números são demasiado baixos. Identificaram-se os restos de quase 450 fazendas só na Colônia Oriental, e pensa-se que muitos deles são contemporâneos em geral.

Nas zonas principais da colonização, as fazendas nórdicas agrupavam-se nas partes mais abrigadas dos hordes interiores, onde as condições climáticas eram menos extremas que nas costas. Os climatologistas pensam que o conjunto da região do Atlântico Norte experimentou um clima relativamente suave entre os séculos IX e XII, fazendo com que a terra que hoje e improdutiva pudesse ser usada para cultivar forragem e permitindo assim a criação de gado, que durante o inverno ficava no estabulo. No entanto, as condições de vida nas colônias da Groenlândia devem ter sido duras, especialmente na Colônia Ocidental, que ficava mais a norte. Só na Colônia Oriental a ocupação nórdica se estendeu até a costa, e puderam encontrar-se zonas de pasto relativamente baixas e suavemente onduladas. Aqui, em todo caso, a declaração do escritor do século XIII do King's Mirror de que "na Groenlândia ha fazendas grandes e belas" parece ter sido exata.

Um estudo dos ossos de animal encontrados em sítios de colônias nórdicas na Groenlândia, junto com outros indícios, demonstra que além de cordeiros (que ainda são criados na Groenlândia) se criavam vacas e cabras, fato que parece surpreendente dadas as limitações climáticas atuais. No entanto, quase metade dos ossos escavados em sítios da Colônia Oriental, e mais da metade dos da Colônia Ocidental, são de focas, sobretudo de focas-harpas. É claro que a caça desempenhava papel muito importante na economia nórdica. Também se matavam renas, e a sua carne seria provavelmente

complementada com cordeiro na dieta nórdica. Faziam-se expedições regulares ao Nordrseta, os terrenos de caça no extremo norte, onde os colonos nórdicos teriam competido com os caçadores indígenas inuits pelos recursos naturais.

A maioria dos lugares examinados até agora na Groenlândia pertence ao final do período nórdico. No entanto, a escavação de uma fazenda em Narssap, na Colônia Oriental, sugere uma data de ocupação no período de colonização inicial. É uma construção simples, parecida com as que tem data comparável nas ilhas Feroe.

O lugar mais famoso da Groenlândia fica na Brattahlid, numa agradável encosta que domina Eiriksford, na Colônia Oriental. Ali pode ver-se uma edificação conhecida como "a fazenda de Erik, o Vermelho", junto com os restos de dois outros grupos de fazendas. No entanto, nenhuma dessas estruturas pode remontar a Erik, e quase não existem marcas visíveis das fases iniciais da ocupação. No centro do complexo há uma igreja magnifica. Esta substituiu a simples estrutura de tepe que ficava a sul e que hoje quase não se distingue, e que recebeu o nome de "Igreja de Thjodhild", pois assim se chamava a mulher de Erik. Esta se converteu ao cristianismo depois de o seu filho Leif ter regressado à Groenlândia, vindo da Noruega encarregado pelo rei Olaf Tryggvason da missão de introduzir a nova religião na colônia, e construíram-lhe uma pequena igreja coberta de relva, para ela e para alguns seguidores.

Erik, no entanto, recusou-se a abandonar as suas crenças pagãs, e Thjodhild depois não quis viver com ele, o que, segundo o escritor da saga, "o incomodava muito" Um extenso levantamento de planos revelou os lugares de muitas fazendas, algumas com igrejas, ao longo do vale Qordlortoq ate o norte, que une Airiksford e lsafjord.

Um lugar de povoação em Sandnes, na zona do fiorde interior da Colônia Oriental, que estava ocupada antes do século XII, ultimamente atraiu muito a atenção dos arqueólogos. Consiste num grupo de edifícios agrícolas, que incluem dois estábulos consideráveis e uma forja, além de uma igreja pequena, embora esta ultima esteja agora submersa pelo fiorde. Parece claro que Sandnes tinha poder territorial no fiorde interior sobre uma rede de outras fazendas menores. As condições geladas do solo mantiveram os restos de Sandnes em excelente estado de conservação. Os edifícios agrícolas foram construídos com tepe e pedra, como na Islândia, e restam alguns fragmentos de madeira que demonstram que as paredes, às vezes, tinham tabuas por dentro. As paredes ainda se erguem até uma altura considerável. Os artefatos de madeira achados no lugar - por exemplo, uma capa usada para guardar a tesoura, encontrada num dos estábulos - lançaram uma luz importante sobre o modo de vida praticado pelos audaciosos fazendeiros daquelas longínquas povoações nórdicas.

A colônia de Vinland

Entre os colonizadores que navegaram com o grupo original de Erik, o Vermelho, a Groenlândia em 985, estavam os pais de um certo Bjarni Herjolfsson. Depois e naquele mesmo ano, ele saiu da Islândia com um cargueiro para juntar-se a eles, mas o barco foi desviado pelo vento e continuou a navegar para ocidente através do oceano até que avistou terra plana coberta de arvores, a qual chamou Markland ("Terra dos bosques"). Bjarni não desembarcou, mas navegou ao longo da costa para norte, passando diante da terra deserta, montanhosa e rochosa, Helluland ("Terra das rochas planas"), e depois para leste, para chegar a Groenlândia.

Bjarni foi provavelmente o primeiro nórdico que avistou a América do Norte. Foi Leif, o Ditoso, o filho de Erik, o Vermelho, quem ali desembarcou pela primeira vez, entre dez a quinze anos depois. Segundo a Saga de Erik, ele decidiu reconstituir a viagem de Bjarni na direção contraria. Deixando a Colônia Oriental, navegou ao longo da costa da Groenlândia e passou diante da Colônia Ocidental, até chegar à ilha de Disko. Dai cruzou o estreito de Davis e chegou a Helluland, agora identificada como a ilha Baffin. Continuando para sul, encontrou a costa do Lavrador (Markland), povoada de arvores tal como Bjarni a descrevera, e depois continuou, navegando durante mais dois dias, até chegar a um promontório de terra a sudoeste que chamou Vinland ("Terra das uvas"), devido às uvas silvestres ou bagas que encontrou ali. Leif e o seu grupo desembarcaram e passaram ali o inverno antes de regressar à Groenlândia.

Geralmente, é hoje aceito o fato de os vikings terem chegado à Terra Nova, na altura do continente norte-americano. As sagas relatam mais uma tentativa de estabelecer uma colônia nórdica ali; efetivamente, no ano seguinte, o irmão de Leif, Thorwald, dirigiu uma expedição a Vinland, mas uma flecha matou-o numa escaramuça com um grupo de americanos nativos. Dizem que Thorfinn Karlsefni estabeleceu uma colônia de 60 a 160 pessoas poucos anos depois, mas parece que durou apenas três anos. A hostilidade permanente da população indígena, a que os vikings chamavam skraelingar, um termo algo pejorativo, foi sem duvida um fator de fracasso, mas também parece que se alongaram demasiado as rotas de fornecimento com base na Groenlândia. Até há pouco tempo, parecia que os vikings não tinham deixado nenhuma prova da sua presença física na América do Norte. Mas em 1965 se deu o achado surpreendente de um mapa que, aparentemente, datava do século XV, e que mostrava uma terra chamada Vinland, a oeste da ilha da Groenlândia. Defendeu-se que ele só pode ter sido traçado a partir de mapas anteriores de viajantes nórdicos, e que portanto oferecia uma prova clara (se necessário fosse) de que tenham chegado a América do Norte. No entanto, muitos especialistas põem em dúvida a autenticidade do "Mapa de Vinland", argumentado que não se conhece outro mapa contemporâneo que descreva a Groenlândia como uma ilha. Os testes que se fizeram posteriormente demonstraram que um pigmento usado na tinta não teria começado a ser utilizado senão no final do século XIX, e agora, geralmente se considera que o mapa é uma falsificação do século XX.

O alvoroço e a polemica posterior suscitados pelo "Mapa de Vinland" desviaram a atenção do trabalho arqueológico, que então estava sendo levado a cabo e que proporcionou provas indiscutíveis da presença nórdica na Terra Nova. Na década de 1960, o norueguês Helge Ingstad, juntamente com sua companheira e esposa, também arqueóloga, começou a escavar um sitio em L'Anse-aux-Meadows, na porta do promontório a norte da Terra Nova. Depois de varias temporadas de escavação, descobriram, diante de uma baia pouco profunda, um pequeno complexo de edifícios de pedra e de tepe, formando um arco junto a um riacho de agua doce. A prova do carbono 14 demonstrou que o lugar esteve ocupado no período viking, e o esmagador balanço de provas - nada menos que vários artefatos nórdicos, que incluíam uma insígnia anelada de bronze - indicou que se tratava de uma colônia nórdica. Executaram-se ali fundições de ferro e trabalhos de forja - sobretudo para a fabricação de rebites de ferro, que eram fundamentais para reparar os barcos -, e os grupos de americanos nativos daquela região não utilizavam os metais em finais do século X nem durante o século XI. Os edifícios também se diferenciam dos indígenas em tamanho, estilo e construção. Mas era Vinland a terra das uvas silvestres? É pois muito pouco provável que se encontrassem uvas crescendo nessas latitudes, ate nas condições climáticas mais suaves dos séculos X e XI, embora possam existir em regiões muito mais para sul. De qualquer modo, discute-se bastante a suposta relação de Vinland com as uvas, dado que poderia tratar-se de alguma espécie de bagas, ou talvez o nome tenha um significado completamente diferente. O achado em Maine, ao sul, de uma simples moeda de prata do rei norueguês Olaf Kyrri (1066-1093) também não lança muita luz sobre a identificação de Vinland. Assim como os artefatos nórdicos encontrados nas regiões árticas da América do Norte, foi encontrada num lugar nativo, e, mais que uma povoação local, indica atividades comerciais. O mais provável é que L'Anse-aux-Meadows fosse a "porta" de Vinland, mas uma localização mais precisa de Vinland terá de esperar o posterior achado e autenticação de coisas nórdicas na América do Norte.

Embora ignoremos se a localização de L'Anse-aux-Meadows continua a ser a única prova de uma verdadeira presença nórdica na América do Norte, está claro que a povoação de Vinland teve extensão reduzida e curta duração. Incapazes de estabelecer boas relações com os americanos nativos, e com as rotas de fornecimentos vitais, cortadas com demasiada facilidade pelo mau tempo, a vida deve ter sido cada vez mais insegura para os colonizadores que viviam no outro extremo do mundo viking, e podemos imaginar facilmente o seu alívio quando regressaram à relativa segurança da Groenlândia, supondo que não fosse a fome ou a guerra o que acabou com as suas povoações. Resta a possibilidade remota de que algumas comunidades nórdicas tenham sido absorvidas pela população nativa, mas neste caso a sua cultura material distintiva se teria diluído rapidamente, sem deixar marcas no registro arqueológico.

 

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Os Vikings
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História
20/10/2014 | 01:39h
A União Soviética na Segunda Guerra Mundial
Logo desde o início, a liderança soviética esperava uma invasão mais cedo ou mais tarde. Essa convicção provinha da situação efetiva da União Sovié­tica desde a revolução, da experiência de intervenção e hostilidade de quase todos os outros Estados e também da sua análise do mundo. Afinal, eles esperavam não só um ataque contra o seu próprio país, mas também uma guerra entre as potências ocidentais, e julgavam provável que a guerra no Ocidente viria primeiro. Sua análise do mundo derivava da visão de Lenin do estado mais atual do capitalismo, que ele estimava ser o período do im­perialismo. Ele acreditava que a Primeira Guerra Mundial fora resultado da concentração crescente do capital nas mãos de um pequeno número de enormes empresas e bancos semimonopolistas, o que levava, por sua vez, a uma competição exacerbada por mercados e recursos. O resultado foi a divisão do mundo entre grandes impérios e o desejo dos retardatários nesse processo, a Alemanha em particular, de redividir o mundo. Portanto, mes­mo sem a existência da URSS, outra guerra era inevitável. Stalin e a elite soviética aceitaram essa concepção do mundo sem nenhuma dúvida, e sua própria experiência histórica na Primeira Guerra Mundial, bem como sua observação das diversas rivalidades no mundo após 1918, somente reforça­ram sua convicção. Por outro lado, eles perceberam que as diferenças (“contradições”) entre as potências capitalistas poderiam ser temporariamente ignoradas numa aliança anticomunista ou que uma ou mais potências oci­dentais poderiam ser poderosas o bastante para atacá-los individualmente. Até 1933, a principal ameaça parecia vir do Império Britânico, a potência aparentemente hegemônica da época. O Exército Vermelho formulou seus planos de guerra presumindo que um ataque viria da Polônia e da Romênia com apoio - ou mesmo participação - dos britânicos (e talvez dos franceses). Os acordos militares defacto com a Alemanha de Weimar foram concebidos em part
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15/10/2014 | 09:52h
Evolução Filogenética de algumas estruturas do Sistema Nervoso
Neste texto, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética. Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado (hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais (corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.
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09/10/2014 | 13:27h
A estabilização do Partido Comunista e os primeiros passos da União Soviética
O fim da guerra civil apresentou à liderança soviética uma série de novos problemas, alguns imediatos e outros a longo prazo. Mesmo os Exércitos Brancos tendo sido derrotados, o descontentamento interno crescia rapidamente, nutrido pela situação econômica catastrófica e pelo ressentimento contra a ditadura do partido. Em 1920, na província de Tambov, na Rússia central, estourou uma grande revolta do campesinato, em grande parte apolítica mas nem por isso menos fervente. Foram necessárias forças importantes do Exército sob o comando de Tukhachevskii para reprimi-la.
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08/10/2014 | 10:15h
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Enquanto tanto já se conhece sobre outros comportamentos, curiosamente pouco se sabe sobre os mecanismos cerebrais do choro, talvez porque ele seja tão facilmente acompanhado de soluços. O problema é que a ressonância magnética funcional, o método mais usado para visualizar dentro do cérebro as estruturas cuja ativação está relacionada com os mais variados comportamentos, exige perfeita imobilidade do voluntário cujo cérebro é estudado. Um pouco de emoção funciona – algo que dê certa tristeza ou coloque um sorriso no rosto, por exemplo. Mas os estímulos usados não podem levar os voluntários a gargalhadas ou a soluços. Portanto, nada de cócegas ou lágrimas.
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07/10/2014 | 22:52h
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A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial não foi um acidente. Depois da Guerra Russo-Japonesa, a política externa da Rússia voltou-se para o oeste. Em 1907, a Rússia concluiu um tratado com sua rival de longa data, a Grã-Bretanha, para estabelecer um domínio conjunto sobre o Irã. Os russos tomaram controle da parte setentrional do país até Teerã, e os britânicos do Sul. Esse compromisso pôs fim à competição imperial anglo-russa na Ásia e fez que a Rússia se tornasse um aliado efetivo da Grã-Bretanha, bem como da França. Os únicos inimigos imagináveis eram a Alemanha e a Áustria. O acordo sobre a Pérsia armou o palco para os eventos de 1914, mas foram as rivalidades imperiais nos Bálcãs que proporcionaram a fagulha para a explosão. Ali, a Rússia enfrentava um Império Otomano ressurgente, aliado com a Alemanha e a Áustria, seguidas pela Bulgária. Nesse ponto, o único aliado da Rússia era a diminuta Sérvia, que estava exatamente no caminho da expansão austro-alemã no Sul. Uma série de crises nos Bálcãs nesses anos mostrou repetidamente a fraqueza da Rússia na região: ela não tinha aliados formais além da Sérvia, nem o poder informal derivado dos laços comerciais estabelecidos pelos alemães e austríacos, bem como os franceses e britânicos. Quando Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austríaco em Sarajevo em 1914, Viena lançou um ultimato à Sérvia e a Rússia teve de apoiar a resistência sérvia. A credibilidade básica da Rússia estava em jogo, e o resultado foi a guerra. Ela não havia buscado a guerra, mas desviado em direção à crise, tal como estava fazendo em muitas outras áreas.
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O quarto de século do assassinato de Alexandre II até a Revolução de 1905 foi de estagnação política. A reação do novo governo ao assassinato foi interromper o processo de reforma, afirmar publicamente a necessidade da autocracia e formular planos de contrarreformas. Estes últimos não resultaram em nada, mas o governo aproveitou toda possibilidade de bloquear a crítica, a discussão política e a organização entre o público. Apesar de retomar o patrocínio do desenvolvimento econômico nos anos 1890 sob o ministro das Finanças Sergei Witte, ele recusou-se a reconhecer as implicações da modernização continuada da sociedade, que resultava em parte das suas próprias medidas. O isolamento crescente do governo e sua própria falta interna de coordenação levaram a uma tentativa malograda de imperialismo moderno na Manchúria, tentativa que levou a uma guerra malsucedida com o Japão, que quase derrubou a monarquia.
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Crenças e opiniões moldam nossa vida de maneira surpreendente. O problema é que, muitas vezes, aquilo que pensamos pode dificultar a tomada de decisões saudáveis e trazer bastante sofrimento emocional e físico. Diversas descobertas recentes, porém, sugerem que o treinamento metacognitivo é capaz de ajudar a amenizar transtornos de ansiedade e até reduzir sintomas psicóticos.