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Odsson Ferreira
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A Septuaginta alexandrina
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(Derek Adie Flower)

Alexandria logo havia se tornado um polo de atração para homens de todas as nacionalidades e credos, e uma das comunidades que mais cresciam era a judia, estabelecida em uma área especialmente escolhida a leste do Bruquíon, onde viviam a "realeza" e os cidadãos gregos.

Normalmente, os imigrantes judeus daquela época tinham tendência a viver juntos, guardando com zelo seus costumes e tradições, e conservando a língua materna na qual haviam sido criados. Mas como a língua falada em Alexandria era o grego, quando a segunda e terceira gerações substituíram os primeiros colonos vindos de Jerusalém, sua linguagem, o hebreu, ficou tão antiquada que poucos conseguiam ler seus livros religiosos sagrados.

Assim, os rabinos decidiram que a solução lógica era traduzir para o grego a Torá ou Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento).

Existem várias lendas sobre quando e como aconteceu a tradução. A mais pitoresca conta que, a pedido do Sumo Sacerdote Eliezar, Demétrio Falereu exortou Ptolomeu I a mandar trazer de Jerusalém os tradutores mais qualificados. O resultado foi a vinda de 72 tradutores - seis de cada uma das doze tribos de Israel -, que foram abrigados em um número equivalente de celas na Ilha de Faro. Setenta dias depois, a tradução estava concluída, daí o nome Septuaginta, que em grego significa setenta.

Essa versão da história foi contada em um duvidoso documento do século II a.e.c., chamado Carta de Aristeu. Ninguém sabe quem era esse Aristeu, onde viveu, se era grego ou judeu. E, no entanto, curiosamente, homens de letras confiáveis, como Filo,74Josefo75 e Tzetzes, do século 12 d.e.c., a aceitaram como historicamente válida.

Na verdade, o trabalho de tradução provavelmente levou alguns anos, ou mesmo décadas, e agora se presume que foi completado entre o fim do século III a.e.c e a metade do século II a.e.c.

Existe também uma teoria, baseada em estudos recentes, de que a Septuaginta foi produzida na Palestina e não em Alexandria, embora a pedido especial das autoridades judias de Alexandria. Possivelmente, ambas as versões têm algo de verdade, mas há pouca dúvida de que a cultura alexandrina foi basicamente a responsável pela que ficou conhecida como uma das mais importantes traduções jamais realizadas.

Até então, o estudo dos textos do Antigo Testamento estava reservado exclusivamente aos eruditos hebreus. Com a Septuaginta em grego, a linguagem cotidiana falada na maior parte do mundo helénico, o estudo dos cinco primeiros livros da Bíblia tornou-se disponível a um público amplo e diversificado. Desnecessário sublinhar as repercussões religiosas e filosóficas que isso teria na civilização ocidental nos séculos vindouros.

O declínio

Por volta da metade do século II a.e.c, a torre de marfim da erudição alexandrina sofreu seu primeiro revés.

A decadência começou já com a subida ao trono em 222 a.e.c. de Ptolomeu IV Filopátor (Amante de seu Pai, isto é, o falecido Evergeta). Ao contrário de seus três antecessores reais, que tornaram Alexandria conhecida política e culturalmente, parece que esse faraó só estava interessado em sexo e bebida. E, embora tenha conseguido repelir um ataque selêucida ao Egito na batalha de Ráfia em 217 a.e.c., isso ocorreu à custa da estabilidade social e com tumultos e desordens explodindo em todo o vale do Nilo.

Doze anos mais tarde (205 a.e.c.), Ptolomeu V Epifânio (manifestação de Deus), filho do casamento de Evergeta com sua irmã Arsinoé III, subiu ao trono. Em seu reinado de 24 anos, conseguiu perder todas as possessões gloriosamente conquistadas por seus antecessores fora das fronteiras do país, por isso teve de pedir socorro a Roma, assinalando o declínio político do Egito e sua decadência como potência dominante, passando a uma posição de segunda categoria.

Mas os sinos da morte começaram realmente a dobrar para esse outrora poderoso império quando o cônsul romano Gaio Popilo Lena teve de correr em socorro do próximo rei, Ptolomeu VI Filométor (amante de sua mãe) para ajudá-lo a acuar o rei sírio, Antíoco Epifânio, quando o exército deste cercou as muralhas de Alexandria.

A primeira metade do século II a.e.c. foi uma das mais terríveis na história do Egito ptolemaico, do Museu e da Biblioteca, pois, por quase sessenta anos, Ptolomeu VI e seu irmão, Ptolomeu VII (Neo Filopátor), se derrubaram alternadamente do trono e lançaram o Egito em uma total dependência de Roma.

A degeneração latente da família real atingiu o clímax com o monstruosamente gordo Ptolomeu VIII Evergeta, que bateu recordes de incesto ao casar-se primeiro com sua irmã, Cleópatra II (que também havia sido esposa de seu irmão), e depois com sua sobrinha, Cleópatra III.

Infelizmente para a cultura alexandrina, Fiscon, "Gorducho", como ele era apelidado, cuja forma elefantina podia ser vista frequentemente gingando pelos jardins do palácio enrolado apenas em uma gaze transparente, adquiriu uma aversão tão selvagem e irracional aos intelectuais gregos do Museu e da Biblioteca que vários deles sentiram suas vidas ameaçadas e fugiram, causando uma drenagem invertida de cérebros, quando a fama de pertencer ao mais importante centro de erudição se desgastou ao extremo e o patrocínio real não só deixou de existir como também se tornou fonte de perigo pessoal.

Isso não significou que os homens de ciências e letras pararam de frequentar a Biblioteca. Continuaram a fazê-lo, mas na Biblioteca Filha existente no Serapeum, na parte egípcia da cidade, onde se sentiam menos ameaçados pelos perversos caprichos do monarca. E, embora o auge tivesse passado, o grande centro do conhecimento continuou a influenciar a cultura mundial por meio de meia dúzia de homens que, apesar das dificuldades, mantiveram ardendo a chama do pensamento alexandrino.

Um geômetra, três gramáticos, um astrônomo e um físico: eles simbolizam os quatro campos do conhecimento pelos quais as escolas de Alexandria ficaram famosas.

 

Fonte:
A Biblioteca de Alexandria
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História
20/10/2014 | 01:39h
A União Soviética na Segunda Guerra Mundial
Logo desde o início, a liderança soviética esperava uma invasão mais cedo ou mais tarde. Essa convicção provinha da situação efetiva da União Sovié­tica desde a revolução, da experiência de intervenção e hostilidade de quase todos os outros Estados e também da sua análise do mundo. Afinal, eles esperavam não só um ataque contra o seu próprio país, mas também uma guerra entre as potências ocidentais, e julgavam provável que a guerra no Ocidente viria primeiro. Sua análise do mundo derivava da visão de Lenin do estado mais atual do capitalismo, que ele estimava ser o período do im­perialismo. Ele acreditava que a Primeira Guerra Mundial fora resultado da concentração crescente do capital nas mãos de um pequeno número de enormes empresas e bancos semimonopolistas, o que levava, por sua vez, a uma competição exacerbada por mercados e recursos. O resultado foi a divisão do mundo entre grandes impérios e o desejo dos retardatários nesse processo, a Alemanha em particular, de redividir o mundo. Portanto, mes­mo sem a existência da URSS, outra guerra era inevitável. Stalin e a elite soviética aceitaram essa concepção do mundo sem nenhuma dúvida, e sua própria experiência histórica na Primeira Guerra Mundial, bem como sua observação das diversas rivalidades no mundo após 1918, somente reforça­ram sua convicção. Por outro lado, eles perceberam que as diferenças (“contradições”) entre as potências capitalistas poderiam ser temporariamente ignoradas numa aliança anticomunista ou que uma ou mais potências oci­dentais poderiam ser poderosas o bastante para atacá-los individualmente. Até 1933, a principal ameaça parecia vir do Império Britânico, a potência aparentemente hegemônica da época. O Exército Vermelho formulou seus planos de guerra presumindo que um ataque viria da Polônia e da Romênia com apoio - ou mesmo participação - dos britânicos (e talvez dos franceses). Os acordos militares defacto com a Alemanha de Weimar foram concebidos em part
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15/10/2014 | 09:52h
Evolução Filogenética de algumas estruturas do Sistema Nervoso
Neste texto, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética. Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado (hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais (corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.
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09/10/2014 | 13:27h
A estabilização do Partido Comunista e os primeiros passos da União Soviética
O fim da guerra civil apresentou à liderança soviética uma série de novos problemas, alguns imediatos e outros a longo prazo. Mesmo os Exércitos Brancos tendo sido derrotados, o descontentamento interno crescia rapidamente, nutrido pela situação econômica catastrófica e pelo ressentimento contra a ditadura do partido. Em 1920, na província de Tambov, na Rússia central, estourou uma grande revolta do campesinato, em grande parte apolítica mas nem por isso menos fervente. Foram necessárias forças importantes do Exército sob o comando de Tukhachevskii para reprimi-la.
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08/10/2014 | 10:15h
Qual a função do choro e das lágrimas?
Enquanto tanto já se conhece sobre outros comportamentos, curiosamente pouco se sabe sobre os mecanismos cerebrais do choro, talvez porque ele seja tão facilmente acompanhado de soluços. O problema é que a ressonância magnética funcional, o método mais usado para visualizar dentro do cérebro as estruturas cuja ativação está relacionada com os mais variados comportamentos, exige perfeita imobilidade do voluntário cujo cérebro é estudado. Um pouco de emoção funciona – algo que dê certa tristeza ou coloque um sorriso no rosto, por exemplo. Mas os estímulos usados não podem levar os voluntários a gargalhadas ou a soluços. Portanto, nada de cócegas ou lágrimas.
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Revolução Russa de 1917, distúbios econômicos, políticos e sociais
A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial não foi um acidente. Depois da Guerra Russo-Japonesa, a política externa da Rússia voltou-se para o oeste. Em 1907, a Rússia concluiu um tratado com sua rival de longa data, a Grã-Bretanha, para estabelecer um domínio conjunto sobre o Irã. Os russos tomaram controle da parte setentrional do país até Teerã, e os britânicos do Sul. Esse compromisso pôs fim à competição imperial anglo-russa na Ásia e fez que a Rússia se tornasse um aliado efetivo da Grã-Bretanha, bem como da França. Os únicos inimigos imagináveis eram a Alemanha e a Áustria. O acordo sobre a Pérsia armou o palco para os eventos de 1914, mas foram as rivalidades imperiais nos Bálcãs que proporcionaram a fagulha para a explosão. Ali, a Rússia enfrentava um Império Otomano ressurgente, aliado com a Alemanha e a Áustria, seguidas pela Bulgária. Nesse ponto, o único aliado da Rússia era a diminuta Sérvia, que estava exatamente no caminho da expansão austro-alemã no Sul. Uma série de crises nos Bálcãs nesses anos mostrou repetidamente a fraqueza da Rússia na região: ela não tinha aliados formais além da Sérvia, nem o poder informal derivado dos laços comerciais estabelecidos pelos alemães e austríacos, bem como os franceses e britânicos. Quando Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austríaco em Sarajevo em 1914, Viena lançou um ultimato à Sérvia e a Rússia teve de apoiar a resistência sérvia. A credibilidade básica da Rússia estava em jogo, e o resultado foi a guerra. Ela não havia buscado a guerra, mas desviado em direção à crise, tal como estava fazendo em muitas outras áreas.
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Metacognição, pensar sobre o pensamento
Crenças e opiniões moldam nossa vida de maneira surpreendente. O problema é que, muitas vezes, aquilo que pensamos pode dificultar a tomada de decisões saudáveis e trazer bastante sofrimento emocional e físico. Diversas descobertas recentes, porém, sugerem que o treinamento metacognitivo é capaz de ajudar a amenizar transtornos de ansiedade e até reduzir sintomas psicóticos.